25 de julho de 2012

A tela

No quadro a vida se retrata em plenitude.
A mente do artista vaga leve
E se estende além das cores da pintura.

Todas as coisas tomam forma,
Existem, extrapolam a moldura.

A elegante mulher anda na feira:
Quantas vidas há, fora de foco,
A exigir a atenção do expectante!

O vestido longo, o corpo esguio;
Um imenso chapéu guarda nas sombras
Do imaginário o seu semblante.

Mais adiante, no universo da gravura,
Ela se revela novamente.
Outra vez mais, ao horizonte
E vai além,
Até sumir do consciente.

A mulher pintada anda solta
Na figura fictícia da ilusão.
Não repousa no olhar
Nem vem à mão.

Caminha, vai eternamente...

Utópica, bela, imponente,
Ela some tão etérea, absorta,
Tão fugaz e insensivelmente
Como se ninguém a desejasse;
Sem qualquer pudor,
Ao seu deleite.

Penetra indomável a minha alma
Até que alcance nela alguma cama,
Algum quarto em alguma rua
Em que, enfim, com toda calma,
Coberta de êxtase
E nua,
Se canse de trilhar e deite.

Poema do livro Todas as palavras de amor.

29 de junho de 2012

Acaba de ser publicado meu novo livro de poesias, "Canção para despertar os pássaros & novos planos de voo". O lançamento em Belo Horizonte acontecerá no dia 26 de setembro de 2012, das 19:00 às 22:00 horas, na Biblioteca Pública Luiz de Bessa, que fica na Praça da Liberdade, nº 21.
Conto com a sua ilustre presença!

19 de junho de 2012

Canção para despertar os pássaros & novos planos de voo


Será publicado em breve o meu novo livro de poesias, Canção para despertar os pássaros & novos planos de voo, com poemas inéditos e outros que foram publicados apenas em obras coletivas. O lançamento em Belo Horizonte está previsto para setembro/2012, em dia, hora e local a serem ainda confirmados.

A capa é da fotógrafa e capista Cínthia Casagrande. A diagramação e a revisão são do poeta e escritor Cláudio B. Carlos.

 Aguardem!

27 de maio de 2012

Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias




DAS IDÉIAS

a vida é louca
isto é certo
a sorte é pouca
e pra quem tem
é muito
é mais do que o preciso
é como uma folga
fora o domingo
tenho estrelas-do-mar
no céu da boca
no peito cavalos-marinhos
num galope frenético
e um peixe-elétrico
que no meu sangue nada
e me acende a lâmpada
das idéias
da planta dos pés
me brotam raízes
e nas pernas barrigudas
batatas
será
que o que vejo
é de fato?
nos olhos
cataratas: são 7 quedas
de cabelo
7 vidas tenho
refletidas
em 7 espelhos
quebrados
tem um navio atracado em mim...

Restinga Seca, RS, 10/ 6/ 2002.

Poema de Cláudio B. Carlos (CC), do livro Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias.



VIA CRUCIS

Cruzar é preciso
a estreita via,
criar o acaso
e silêncio que soa.
Espreitar o estreito,
oposto do dia,
reter o rastro
do que não voa.
Verter o vil
da estreita via,
urna de sal
que o sol coa.

Poema de Cleber Pacheco, do livro Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias.


SEMEAR

Agora
É o tempo de sonhar.
Depois
É preparar a terra,
Semear com zelo
O que foi sonhado,
Celebrar o sol,
Bendizer a chuva,
Acalentar o enredo
Da gestação.

Conquista
É a alegria do plantio,
Embora a incerteza
Da colheita.

Poema de Ádlei Duarte de Carvalho, do livro Pequeno tratado sobre o grande nada & outras insignificâncias.

29 de abril de 2012

O menino e o mar


Pisou por vez primeira
A areia fina
Trazendo o cheiro verde das montanhas
Entranhado no horizonte pequenino.

Não foi preciso que adentrasse o mar.
Antes, cuidara o mar
De entrar por inteiro no menino.

Poema do livro Canção para despertar os pássaros & novos planos de voo.

13 de março de 2012

Um olhar

Quero ainda algum tempo
Para cantar mais canções,
Contar mais estrelas,
Plantar mais flores
No coração,
Trilhar mais versos,
Romper barreiras,
Distribuir outros sorrisos,
Reler “O Pequeno Príncipe”,
Respirar mais verdes
E verdades,
Multiplicar afetos.

Tempo para aprender a olhar
Além dos outros olhos,
A estender incondicionalmente as mãos,
A ouvir mais que dizer,
A sofrer sem murmúrios
E seguir adiante.

Tempo para beijar a minha mãe,
Amar a minha mulher,
Abraçar meus irmãos,
Orar a Deus por meu pai.

Tempo para galgar degraus,
Subir em árvores
E montanhas,
Sentir a brisa,
Correr descalço,
Ouvir um samba
De Chico Buarque,
Aprender a dançar tango.

E quando eu me for
E o tempo já não fizer sentido,
Quero saber que tudo
O que vivi e desejei ter vivido
Não durou mais que o instante
De um olhar.

Poema do livro Canção para despertar os pássaros & novos planos de voo.

17 de janeiro de 2012

ENTREVISTA



Entrevista concedida ao Poeta e Prosador Cláudio B. Carlos (CC), publicada hoje no seu Balaio de Letras, na qual tive a oportunidade de falar do meu passado e do presente, da minha literatura e de muitas outras coisas que penso.



Para ler a entevista, CLIQUE AQUI.



Abraços!